Os cientistas querem saber quais são as ligações entre as bactérias do intestino e o cérebro. Estudos revelam que essa “conversa” podem ter relação com doenças como Alzheimer e depressão.

Que o nosso corpo é cheio de mistérios, isso não é segredo para ninguém. Agora, cientistas querem saber qual a ligação entre o cérebro e as bactérias do intestino.

Esse seria um grande avanço para o tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson, depressão e outros tantas outras que circulam o nosso dia a dia. Além disso, colaboraria para a longevidade saudável.

Em 2014, John Cryan, professor da Universidade College Cork, na Irlanda, participou de uma reunião na Califórnia, nos EUA, sobre o Alzheimer. Ele estudava o microbioma, os trilhões de micróbios dentro do corpo humano saudável.

Cryan e outros cientistas começavam a encontrar indícios de que esses micróbios poderiam influenciar o cérebro e o comportamento. Talvez, disse ele no encontro científico, o microbioma tenha relação com o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Mas a ideia não foi bem recebida.

Depois de anos, a pesquisa continua a revelar ligações entre o microbioma e o cérebro. Os cientistas estão encontrando evidências de que o microbioma pode desempenhar um papel não apenas no Alzheimer, mas no Parkinson, na depressão, na esquizofrenia, no autismo e em outras condições.

Para alguns neurocientistas, os novos estudos mudaram o modo como veem o cérebro.

Padrões surpreendentes revelados

Os cientistas sabem há muito tempo que os micróbios vivem dentro de nós.

Mas o microbioma resistiu à descoberta científica. Por gerações, os microbiologistas só estudaram as espécies que podiam criar em laboratório.

Os pesquisadores examinaram fezes de ratos com uma mutação genética que os fazia comer muito e engordar. Então transferiram as fezes para ratos que tinham sido criados sem germes – inteiramente sem microbioma intestinal – desde o nascimento.

Depois de receber esse chamado transplante fecal, os ratos livres de germes também ficaram com fome e engordaram.

Porém, alterar o apetite não é a única coisa que o microbioma pode fazer com o cérebro. Cryan e seus colegas descobriram que os roedores sem microbioma se tornavam solitários.

Estudos de seres humanos também revelaram alguns padrões surpreendentes. As crianças com autismo têm padrões incomuns de micróbios em suas fezes.

As diferenças nas bactérias do intestino de pessoas que apresentam outras condições cerebrais foram igualmente relatadas.

Mas nenhuma dessas associações prova causa e efeito. Encontrar um microbioma incomum em pessoas com Alzheimer não significa que as bactérias produzam a doença. Pode ser o inverso: aqueles com Alzheimer em geral mudam seus hábitos alimentares, por exemplo, e essa mudança pode favorecer diferentes espécies de micróbios do intestino.

Transplantes fecais podem ajudar a garantir essas ligações.

Mesmo que esse tipo de pesquisa seja intrigante, há uma grande limitação. Como os pesquisadores estão transferindo centenas de espécies bacterianas ao mesmo tempo, os experimentos não conseguem revelar quais, em particular, são responsáveis por alterações no cérebro.

Agora, cientistas estão determinando cepas individuais que parecem ter efeito.

Proteção contra convulsões

Conforme os pesquisadores estão entendendo melhor como o microbioma influencia o cérebro, eles esperam que os profissionais da saúde sejam capazes de usá-lo para tratar condições psiquiátricas e neurológicas.

É possível que venham fazendo isso há um bom tempo – sem saber.

No início de 1900, os neurologistas descobriram que submeter as pessoas com epilepsia a uma dieta pobre em carboidratos e rica em proteínas e gorduras às vezes reduzia as convulsões.

Os camundongos epiléticos experimentam a mesma proteção com uma dieta chamada cetogênica, mas ninguém saberia dizer por quê. Elaine Hsiao, microbiologista da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, suspeitava que o microbioma fosse a razão.

Para testar sua importância, Hsiao e seus colegas criaram camundongos livres de micróbios. Quando submeteram os animais epilépticos livres de germes a uma dieta cetogênica, descobriram que eles não estavam protegidos das convulsões.

Mas, quando deram fezes de animais em uma dieta cetogênica aos camundongos livres de germes, o número de convulsões diminuiu.

Hsiao descobriu que dois tipos de bactérias intestinais em particular prosperam em camundongos com dieta cetogênica. Eles podem fornecer aos hospedeiros blocos de construção de neurotransmissores, que brecam a atividade elétrica no cérebro.

É possível que os epiléticos não precisem adotar uma dieta cetogênica para obter seus benefícios – um dia, poderão apenas tomar um comprimido contendo as bactérias que prosperam com a dieta.

Isso não é fácil quando as pessoas podem comprar probióticos sem receita e quando algumas empresas estão dispostas a usar a pesquisa preliminar para vender micróbios para tratar condições como a depressão.

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