Lição de vida: o que podemos aprender com os supercentenários

Chegar ao centésimo aniversário é sempre um bom motivo para comemorar, mas hoje em dia existem tantas pessoas com essa idade que os cientistas nem se importam mais em rastrear todas elas. Em 2012, a ONU estimou que existiam 316,6 mil pessoas com mais de 100 anos no mundo. Até 2050 este número deve chegar […]
supercentenários

Chegar ao centésimo aniversário é sempre um bom motivo para comemorar, mas hoje em dia existem tantas pessoas com essa idade que os cientistas nem se importam mais em rastrear todas elas.

Em 2012, a ONU estimou que existiam 316,6 mil pessoas com mais de 100 anos no mundo. Até 2050 este número deve chegar a mais de 3 milhões. Já o clube dos chamados “supercentenários“, aqueles que vivem 110 anos ou mais é mais exclusivo. Segundo o Gerontology Research Group, empresa em Los Angeles que mantém uma base de dados sobre as pessoas mais velhas do mundo, existem hoje apenas 53 indivíduos vivendo nessa faixa etária.

Envelhecer com saúde é fenomenal e não uma coisa para se temer

O avanço implacável do tempo significa que existe uma rotatividade entre os indivíduos mais velhos do mundo, fazendo com que especialistas de várias áreas – biologia, história e antropologia cultural – se atropelem em busca de aprender tudo o que podem sobre essas pessoas extraordinárias enquanto elas ainda estão entre nós. E elas são capazes de nos ensinar muito mais do que seus segredos de saúde. O motivo mais óbvio para estudar os idosos com mais de 110 anos é encontrarmos pistas sobre o envelhecimento. “Os supercentenários parecem ter nascido com relógios biológicos mais lentos do que o resto de nós”, afirma Stuart Kim, biólogo de desenvolvimento na Universidade Stanford, nos Estados Unidos.
“Quando essa pessoas tem 60 anos, parecem ter 40, e quando tem 90 aparentam 70. E também agem como se tivesse 20 anos a menos.”
  Um exemplo é Besse Brown Cooper, nascida no Estado americano do Tennessee em 1896 e que viveu 116 anos e 100 dias – batendo o recorde como a décima pessoa a viver mais tempo. Seu neto, Paul Cooper, dirige uma organização de caridade com o nome da avó e que oferece apoio a supercentenários. Para ele, Besse nunca pareceu velha: não tinha problemas de saúde, morava em casa e cuidava do jardim até seus 105 anos. Foi uma devoradora de livros até os 113. “Minha avó me mostrou que envelhecer com saúde é algo fenomenal, não uma coisa para se temer”, diz. Pesquisadores estão tentando revelar os alicerces que sustentam a extrema e saudável vitalidade de Besse e outros idosos. Até agora, eles descobriram que a hereditariedade é um dos principais indicadores – por exemplo, se os ancestrais também viveram por muitos anos. “Não há como chegar aos 110 se você não ganhar na loteria genética”, afirma Jay Olshansky, professor de saúde pública da Universidade de Illinois. Mas nem ele nem seus colegas ainda conseguiram encontrar quais os genes responsáveis pela longevidade extrema, principalmente porque é difícil conseguir uma amostra adequada devido ao pouco número dos poucos supercentenários. No entanto, quanto mais indivíduos chegarem aos limites da expectativa de vida, mais sólidos tendem a ser os estudos a respeito. Segundo Thomas Perls, professor de medicina e geriatria na Universidade de Boston, essas pesquisas “vão nos dar pistas sobre como ajudar os idosos a evitar ou retardar doenças como Alzheimer, derrames, câncer ou problemas cardíacos”.

Problemas que relacionamos ao envelhecimento são na realidade provocados pela maneira como vivemos

Um dos maiores equívocos em relação ao envelhecimento é pensar que ele automaticamente leva a problemas físicos e mentais. Mas Olshansky e seus colegas descobriram que a suposta ligação entre a decadência da saúde e a idade não é realmente comprovada. “Muitos dos problemas que relacionamos ao envelhecimento são na realidade provocados não por estarmos mais velhos, mas pela maneira como vivemos – se fumamos, bebemos demais ou somos obesos”, diz Perls. Apesar de toda a contribuição que os idosos podem trazer, a velhice ainda é vista como algo a ser ignorado ou temido. É possível que o preconceito nunca desapareça completamente, mas é provável que a idade em que a discriminação comece seja avançada por mais algumas décadas. “Quanto mais pessoas com seus 80 ou 90 anos levarem vidas ativas e interessantes, mais diremos ‘os 70 são os novos 50’ ou outras idades”, afirma Perls. Fonte: BBC FuturePós Graduação Envelhecimento Saudável e Antiaging

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