Venho por meio desta manifestar em meu nome e em nome dos meus colegas farmacêuticos a nossa posição a favor da Biomedicina, pois o que me motivou desabafar aqui foi a indignação e perplexidade mediante ao julgamento favorável do processo movido pelo Conselho Federal de Medicina – CFM para anular as Resoluções da Biomedicina Estética.

A saúde brasileira está uma verdadeira catástrofe

Os sintomas da gripe já não são apenas sintomas da gripe, com os mesmos sintomas você pode estar com H1N1 ou dengue, com isso há um desespero nas pessoas (com toda a razão) e superlotação dos hospitais.

Há relatos que as pessoas chegam a ficar 8 horas em hospitais-particulares para serem atendidos e sair de lá com uma receita impressa igual para todos. Enquanto isso, a ANS (Agência Nacional de Saúde) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tira o poder de outros profissionais da saúde de exercer a sua profissão sendo útil à sociedade.

Por exemplo: Quem não lembra das farmácias que podiam fazer desde curativos a aplicação de penicilina em seus estabelecimentos? Hoje não podemos nem aferir pressão. Há pessoas indo ao hospital para aferir pressão porque na farmácia não pode realizar tal ato. Aliás, não se pode fazer mais nada sem ser através do profissional médico, não houve nada que atrasasse mais a saúde brasileira que o tal Ato Médico.

Se ao invés de trazer médicos Cubanos fosse dada capacitação para farmacêuticos e práticos de farmácia a realizar tudo o que se fazia antigamente, os hospitais estariam mais desafogados, as pessoas estariam mais tranquilas, e a saúde não estaria este caos. Será que estes profissionais que clamam para tirar de outros profissionais capacitados o direito de praticar absolutamente tudo dentro da área da saúde estão mesmo preocupados com a população?

O real interesse da classe médica dermatológica na saúde estética

Será mesmo que o ato médico está preocupado com a saúde do brasileiro, do povo carente, das pessoas que não tem condições nem físicas nem financeiras para ficar nas filas de mais de 8 horas para atendimento em hospital particular? Acham mesmo justo tirar de profissionais que estudaram para atender e realizar procedimentos desde os mais simples como teste de glicemia até os estéticos qual estudamos e muito para nos gabaritarmos, dizendo que estão fazendo isso pela saúde, pelas pessoas, pelo povo? Eu, como farmacêutica que trabalhou em vários segmentos da saúde, afirmo que não.

Não só não temos médicos o suficiente para atendermos todos os doentes desse país, como temos campo para todos os profissionais. Não é à toa, que em muitas cidades do Brasil, foi liberado o atendimento aos farmacêuticos para desafogar as filas que se formam nos hospitais públicos. Por que o médico não é capacitado e o farmacêutico vai roubar o lugar do médico? Não! Simplesmente porque somos profissionais da saúde e podemos trabalhar juntos.

A briga da dermatologia é contra todos os profissionais estetas e não apenas contra a biomedicina estética

Soube que dermatologistas estão brigando com os profissionais estetas gabaritados, especialmente, a biomedicina esteta alegando que os profissionais que realizam procedimento invasivo não cirúrgico estão colocando em risco a sua profissão e a saúde.

Eu acho no mínimo estranho que profissionais médicos estejam preocupados em perder campo de trabalho, já que há campo para absolutamente todos, especialmente na área estética e muitos procedimentos que só dermatologistas podem realizar, e os profissionais da área da biomedicina estética não estão aptos a fazer, e não fazem, recomendando um dermatologista para o paciente.

Há pessoas que simplesmente se recusam a serem atendidas por qualquer profissional que não seja um dermatologista, há pessoas que não confiam em um esteticista de outra área. E sobre os riscos à saúde, tanto dermatologistas quanto profissionais de outras áreas que trabalham com a estética estão submetidos, aliás, o que mais ocorre são erros médicos que muitas vezes não são consertados pelo médico que errou, mas por um colega de trabalho de uma outra especialidade que condena uma série de procedimentos realizados por dermatologistas.

Um profissional esteta tem que trabalhar com segurança a mais de um médico dermatologista, porque trabalha com a consciência que não pode errar, não pode se expor a riscos desnecessários, sendo assim, se prepara imensamente mais para não correr qualquer risco de problema, não é à toa, que há mais casos de erros com dermatologistas que com profissionais estetas.

A estética é de todos os profissionais estetas competentes

Onde eu quero chegar? Campo existe para todos, nenhum profissional tira o espaço de outro, ao contrário, podemos trabalhar todos juntos, nos auxiliando mutuamente, indicando profissionais que realizam procedimentos estéticos que não realizamos, indicando dermatologistas, melhorando a imagem das pessoas, porque nosso interesse são as pessoas e o cuidado com elas, e são elas que escolhem o que é melhor para si e os profissionais gabaritados para realizarem os procedimentos que a deixarão melhor consigo.

Nenhum profissional pode tirar do indivíduo o poder da escolha para que se sinta individualmente realizado, ou por receio de perder campo de trabalho. Nenhum profissional pode passar por cima das experiências de outros, dos estudos de outros, do investimento de outros para se tornarem capacitados na área de estética, ou qualquer área que seja para coibir a prática legal, idônea e honesta de profissionais que se gabaritam para realizar tal prática estudando, inclusive, com médicos.

E, ao contrário do que muitos pensam, não há excessos de profissionais na área para tirar espaço de ninguém, há falta de profissionais competentes para tratar pessoas em todas as áreas da saúde, inclusive na área estética.

A dermatologia está jogando baixo e isso não é correto

Li a decisão da Justiça Federal, e percebi uma séria de inverdades e mais inverdades! Primeiro porque não há procedimento invasivo não-cirúrgico ou invasivo cirúrgico. Nenhum dos procedimentos estéticos que nós profissionais saúde realizamos dão acesso a órgãos internos. Segundo, porque não atuamos como médicos, pois atendemos pacientes saudáveis. Dermatologia é para cuidar de doenças de pele. Isso sim é atuar como médicos. Terceiro, tudo o que eles alegam de erros beiram à mentiras descabidas e sem fundamento nenhum. Não há como provar que todos aqueles erros foram provocados por biomédicos ou profissionais não-médicos. Com certeza é tudo caso de erro estético feito pelas mãos de médicos que se sentem impunes e, estes sim, ultrapassam o limiar de seus limites técnicos e dos limites de uso dos medicamentos.

Ainda, acredito que eles não estejam preocupados com os pacientes, apenas consigo mesmos. Só acho que não há razão para brigas e é óbvio que o sol nasce para todos e a sombra para quem tem maiores e melhores condições. Se os médicos pararem pra pensar, no final sempre serão eles que levarão vantagem. Não queremos competir e nem dá para competir com médicos, mas eu quero o espaço que eu posso ocupar.

Portanto, não é justo que uma única classe, prejudique tanto não apenas uma classe de profissionais, mas todos que podem trabalhar com esta área e não só, a população que fica algemada sempre a uma única escolha.

Devemos nos unir enquanto há tempo!

Estamos juntos nessa, vamos frear esta decisão tão medíocre, mesmo porque, se essa decisão prosseguir, tal efeito será em cascata atingindo a Farmácia Estética, Enfermagem Estética e até se um dias as esteticistas quiserem trabalhar com agulhas.

Por isso, nós farmacêuticos, que desejamos ingressar na área da estética, declaramos a importância de todos estarem do lado uns dos outros enquanto houver a ameaça figurada na insegurança médica se manifestando por outras vias.

Convoco todos ao 1º Congresso de Farmácia Estética que acontecerá agora entre os dias 13, 14 e 15 de outubro em São Paulo-SP, oportunidade de discutirmos e nos unirmos contra esse mal.

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Michelle Fransan
Farmacêutica

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